Reviews – Rebento

RED trio aren’t a piano trio per se; they just happen to be a trio with piano, bass and drums. After two albums featuring “guest” musicians John Butcher and Nate Wooley, RED trio return to NoBusiness in their original configuration. Rebento picks up pretty much where their 2010 debut left off: huge, intense tracts of exploratory clatter that are often whittled down to an urgent, repeating pulse or theme. But like all good free improvisation, Rebento isn’t a music of stasis, and RED trio’s methodology generates anything but predictable results.

“Carne” starts the A side with the crunch and splinter of Hernani Faustino’s bass and Gabriel Ferrandini’s drums. Soon, pianist Rodrigo Pinheiro comes careening in with a Tayloresque flurry of notes. After about five minutes, the trio gets pulled into a rapid current—an amazing, roiling feeling of movement that’s exhilarating, even if it’s hard to surmise just what it is that’s driving them along. It’s a feeling we’ve gotten from RED trio before: this sense that, despite the classic instrumental lineup, we’re encroaching upon territory that’s beyond history or influence, cutting a path through the dense thicket of three overlapping minds, one that becomes illuminated when they put fingers to instrument.

After a blustery beginning, “Para” settles into a haunting soundscape of (what seems to be) scraped cymbals. There’s a strange, spectral doubling of sound, as though the cymbal tones are colliding around inside of the piano. With the touch of Tilbury, Pinheiro begins stringing delicate beads of notes. Soon, a crescendo: huge, open swells of piano and droning bass. It reaches a skin-tingling peak that’s overwhelming and—to use an adjective we don’t deploy often enough when describing this music—beautiful. “Canhão” spans the entirety of side B, a U-shaped piece that tumbles down its starting slope until it reaches a spacious, unsettling nadir, only to take off again on the tips of Ferrandini’s flying drumsticks.

When I think of the ground RED trio has covered since we first encountered them in 2010, I also think of Mark Wastell, in an interview, remarking about the dangers of pinning a description to a group’s sound, and how “commentators and critics” are always 12 months behind the true flow of progress. Rebento has reached us now, at the end of 2013, but it was recorded over a year ago. It’s invigorating music from a band that continues to challenge itself. Where might RED trio be today?

Dan Sorrells http://www.freejazzblog.org/2013/12/red-trio-rebento-nobusiness-2013.html

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Dos três discos que tinha editados, só o debutante nos mostrou o RED trio enquanto tal, um trio. Os outros tiveram um quarto elemento como convidado, primeiro John Butcher e depois Nate Wooley. Também nos palcos era habitual que o projecto se apresentasse não tal como nasceu, mas em versão “extended”, fosse com aqueles músicos como com outros, a saber Jason Stein, Eitr (a unidade de trabalho constituída por Pedro Sousa e Pedro Lopes) e, mais recentemente, Per Gardin.

Se Rodrigo Pinheiro, Hernâni Faustino e Gabriel Ferrandini partiram para essas colaborações com uma postura de grupo suficientemente sólida para justificar o reiterado formato 3+1, o certo é que a identidade autónoma do trio se sujeitava a sofrer erosões. Até porque estas eram bem-vindas, de acordo com a filosofia de abertura dos portugueses a quaisquer influências.

Em boa hora surge, pois, este “Rebento”, registado em estúdio apenas com os três elementos originais. Se bem que não pudesse ser mais diferente do que o álbum homónimo do início, o que nele encontramos é o RED trio em todo o seu fulgor, e não o que resultava dos diálogos com personalidades criativas muito fortes e, em consequência, determinadoras de direcções específicas a seguir. Se dúvidas pudessem haver sobre o que é efectivamente, depois destes anos, o RED trio, aqui está esse “statement”.

E o que aqui vem é de uma excelência que surpreende, mesmo tendo em conta que a formação nos habituou a elevados níveis de qualidade. A música é intensa e dramática, mas dispõe de uma transparência, de uma atenção aos espaços e às dinâmicas, que nos permite, enquanto ouvintes, entrar confortavelmente nela e habitá-la. Inclusive, emana de cada peça uma naturalidade, uma ingenuidade no bom sentido, que chega a ser desconcertante. Não há truques discursivos ou estratégias de envolvimento, apenas a verdade de uma total entrega colectiva ao som.

É como se Pinheiro, Faustino e Ferrandini estivessem a redescobrir-se a si mesmos, individualmente e em termos de efeito conjunto. Sem medos, mas também sem assunções apriorísticas. O que ouvimos é uma combinatória de forças contraditórias – os agudos do piano, aquelas tais notas que parecem vidro a partir-se tão distintivas do estilo pessoal de Rodrigo Pinheiro, elevam-nos às alturas, mas por baixo está o contrabaixo de Hernâni Faustino com as suas vibrações minerais. A bateria, essa, une céu e terra com, em muitos casos, uma parcimónia de elementos que desfaz a ideia de Gabriel Ferrandini ser um percussionista excessivo.

É, por conseguinte, sem hesitações que digo que o RED trio, com este LP, se confirma como um dos mais fascinantes trios de piano da actualidade em todo o mundo onde se pratica isso a que se chama “música improvisada”. Dificilmente se pode esperar algo de melhor do que isto…

Rui Eduardo Paes http://www.jazz.pt/ponto-escuta/2013/10/09/red-trio-rebento-nobusiness/

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El RED trio es una de las bandas más fascinantes de la escena portuguesa, el pianista Rodrigo Pinheiro ha encontrado en el contrabajista Hernani Faustino y el baterista Gabriel Ferrandini dos interlocutores excepcionales para evolucionar el clásico formato hacia territorios inexplorados.

Tras un brillante debut, el trío se abrió a colaboraciones con otros improvisadores de las que surgieron Empire con John Butcher y Stemcon Nate Wooley, por lo que Rebento supone su regreso a la idea original. Como viene ocurriendo con algunos de mis discos favoritos de su catálogo, el sello lituano No Business ha optado por una elitista edición solo en vinilo y mp3 (no tengo nada en contra del revival del LP pero escamotear la edición en CD de una grabación de este calibre me resulta totalmente incomprensible). El mp3 incorpora como extra un tema grabado en vivo de más de media hora de duración.

El trío se inscribe en la tradición de la libre improvisación europea, en la línea de pianistas como Sten Sandell o Georg Graewe. No se trata de una música ni mucho menos amable sino poderosa y casi violenta, capaz de crear una tensión inquietante y turbadora cuya escucha puede llegar a resultar tan gratificante como agotadora. Tanto Faustino como Ferrandini, una pareja rítmica en alza, llevan sus respectivos instrumentos hasta el límite. Como ocurrió en su momento con la irrupción de Matthew Shipp, Pinheiro es un pianista difícil de encasillar que a pesar de su juventud ha depurado su estilo de forma pasmosa. Si su aportación este mismo año al trío Birthmark junto a la saxofonista danesa Lotte Anker y el propio Faustino ya resultaba apasionante, el uso de ciertos patrones repetitivos que traen a la memoria la Musica Ricercata de Ligeti o de sonoridades hipnóticas con ecos de John Cage producen en este Rebento un impacto extraordinario. Uno de mis discos del año. Cayetano López http://oscuraeralanoche.blogspot.pt/2013/10/red-trio-rebento-no-business-2013.html

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Piano trios which accentuate the abstract facets of the format have become increasingly widespread in recent years, although boasting a legacy which stretches back to the pioneering outfits of British pianistHoward Riley in the late 1960s with bassist Barry Guy. Foremost among the current roll call, which includes Frenchwoman Eve Risser, Spaniard Agusti Fernandez, and the New York City-basedDawn of Midi, stands Portugal’s RED trio. Its fourth outing Rebento, issued as an LP containing three collectively birthed tracks totaling 47 minutes, finds a comfortable fit on the adventurous Lithuanian No Business label. While in the past guest artists have supplemented the core threesome, with saxophonist John Butcher on Empire (No Business, 2011), and trumpeter Nate Wooley on Stem (Clean Feed, 2012), this time out they revert to the unaccompanied state of their debut.

In the absence of traditional melody and rhythm, mastery of tone color, careful placement of sound, and level of responsiveness become critical. Happily each member of the triumvirate possesses these skills in abundance. Rodgrigo Pinheiro emphasizes the percussive nature of the piano through preparations, interior manipulation of the wires, and diverse other means of moderating the accustomed reverberations. Assisting him in his endeavors are the subtle but incisive partnership of bassist Hernani Faustino and drummer Gabriel Ferrandini, who not only provide momentum when needed, but also maintain an ongoing narrative of indeterminate sounds. However, perhaps their greatest strength derives from a shared syntax in which they explore the timbral possibilities inherent in their instruments to create a series of sensual and eerie moods.

“Carne” opens in a dense swirling mass of unexpected rumbles, taps and abrasion which converge into a resonant undercurrent which sweeps the piece forward. At one point Pinheiro contrasts a tolling treble with dampened low end chords, goosed by a sizzling cymbal shimmer. In fact the dialogue between piano and drums often lies at the heart of the interaction. After a nervy start, “Para” builds to a ringing climax, all the better to set up a tinkling music box piano coda which is the closest they get to a conventional solo. At just over the 20-minute mark, “Canhão” forms the most expansive number, inching from conversational interchange to near stasis, until it flowers into a wonderfully inventive drum feature in which Ferrandini marshals odd noises into the semblance of meter. It’s a measure of how successful previous sessions have been that although the guest voices are missed, what remains is nonetheless a cut above much of what passes for the norm. John Sharpe http://www.allaboutjazz.com/php/article.php?id=45955#.Up26EiiD7na

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Após dois discos com convidados internacionais, o RED trio regressa em força ao seu formato de origem: o trio de piano.Recuperado directamente das melhores edições do ano passado (foi um dos discos do ano, aqui no Ípsilon), Rebento é o quarto registo de originais dos RED trio, numa edição exclusivamente em vinil. O disco de estreia, surgido em 2010, surpreendeu pela original abordagem a um modelo hiper-clássico, o trio de piano. A partir da instrumentação habitual — piano, contrabaixo e bateria —, o trio português reinventou o formato. Trabalhando a partir de improvisação absoluta, o método passa pela democratização dos instrumentos (independentemente da sua paleta sonora, todos intervêm em igual medida) e pela criatividade de soluções, que combinam o desenho de texturas rendilhadas com uma energia portentosa.

Mantendo a regularidade de um álbum por ano, o RED trio editou entretanto dois discos, com dois convidados internacionais: John Butcher (Empire, de 2011) e Nate Wooley (Stem, de 2012). Este novo Rebento representa o regresso à origem, ao formato de base. Nesta altura, o trio já não precisa de exibir credenciais, a música emana com toda a naturalidade. A experiência acumulada de tocar em conjunto e, sobretudo, nas colaborações com figuras de grande peso internacional terá resultado na natural evolução da música (e dos músicos), das suas técnicas e abordagens.

Em contraste com alguma eventual ingenuidade do primeiro registo, os músicos têm agora o seu universo bem definido e trabalham com toda a segurança. Mas a música, essa, nunca é segura nem previsível. No fundo, as premissas-base são as mesmas desde aquele disco de estreia: bateria, contrabaixo e piano num delicioso jogo de permanente invenção, comunicação, ligação e fuga.

No primeiro tema de Rebento, reencontramos as características mais típicas da música do trio; tensão e confronto, numa turbulência de alta intensidade. Estamos num território de permanente pesquisa, numa procura em que as ideias são muitas e fugazes, e por vezes até se atropelam. Ao segundo tema chega a bonança, com o trio a explorar texturas mais subtis, que vão evoluindo para um crescendo à medida que se aproxima o final. Já ao terceiro tema, que corresponde ao lado B do vinil, o trio atravessa diversos ambientes — ora lentos, ora alvoroçados —, explanando numa só faixa a sua ampla diversidade criativa.

Do vendaval percussivo de Ferrandini, da versatilidade do contrabaixo de Faustino e da fluidez do piano de Pinheiro emerge uma tumultuosa e vibrante massa colectiva: não interessa o peso individual, os três indivíduos colaboram e funcionam verdadeiramente como um todo. De regresso ao seu modelo original, este trio volta a rebentar com toda a força.

Nuno Catarino  

http://ipsilon.publico.pt/musica/critica.aspx?id=329457

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Het honderd procent Portugese RED trio – pianist Rodrigo Pinheiro, bassist Hernani Faustino en, opnieuw, drummer Gabriel Ferrandini – heeft er al een indrukwekkend parcours opzitten met een paar albums die de voorbije jaren hoge ogen gooiden. Na het titelloze debuut (Clean Feed, 2010) volgden twee albums met goed volk: Empire (No Business, 2011) liet hen horen in het bijzijn van John Butcher, terwijl trompettist Nate Wooley de band vergezelde voor Stem (Clean Feed, 2012). Intussen speelden Pinheiro en Faustino ook nog met Lotte Anker, terwijl Jon Irabagon beroep deed op Faustino en Ferrandini. Op Rebentokiezen de drie opnieuw voor de basisbezetting, wat hen gedwongen heeft om op zoek te gaan naar de oorspronkelijke interactie.

Het album is alleszins de meest vrije en abstracte (lees: minst jazzgerichte) plaat uit dit lijstje. Dit swingt immers voor geen meter en moet het niet hebben van soulvolle uitspattingen of heftige powerplay met een punkenergie. RED trio gaat wars van elementen als melodie en harmonie vooral in op de klankmogelijkheden van de respectievelijke instrumenten en de mogelijkheden tot contrastwerking en spanningsopbouw. Dat betekent: veel geratel en gestommel, schrapende basklanken en een enorme pianodynamiek, gaande van diep gestoot tot impressionistische riedels en geïsoleerde uithalen in het hoge register, met nog een hele resem geluidsmanipulaties ertussen. Maar dat wordt dan wel samengebracht met een imponerende intensiteit, zelfs in de meest minimalistische stukken.

Opener “Carne” laat het trio op z’n grilligst horen, met spookachtige ongemakkelijkheid en Pinheiro die zich inschakelt in de aanpak van avant-gardisten als John Tilbury of, om het dichter bij zijn generatie te zoeken, Eve Risser. De geprepareerde pianoklanken zijn dominanter in “Para”, waarvoor het trio nog ongemakkelijker terrein opzoekt, aarzelend tussen de drone-achtige obsessies van The Necks en het soms sinistere solowerk van Chris Abrahams. “Canhão”, goed voor een volledige vinylkant, is een beproeving voor ongetrainde luisteraars, maar tegelijkertijd het meest ‘beluisterbare’ stuk van Rebento, met vooral een hele knappe, sobere middensectie die een mooie aanloop vormt naar de opvallende solo’s van Pinheiro en Ferrandini. Het album lijkt misschien een tikje minder opvallend dan de voorganger met Nate Wooley, maar bewijst niettemin dat je RED trio tot de boeiendste vrije pianotrio’s van vandaag mag rekenen.  Guy Peters http://www.enola.be/muziek/albums/22897:the-portuguese-connection–luis-lopes-humanization-4tet-rodrigo-amado-motion-trio-a-jeb-bishop–red-trio 

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For avant modern jazz piano trio music at its free best, you can’t go wrong with RED trio. And their LP on No Business (NBLP 67) is as good a place as any to start. They give us three supercharged cuts.Hernani Faustino’s double bass cavorts, rumbles and brings in a storm from the lower depths throughout. I love his pizzicato and his arco equally and he sets up the churning excitement the band generates. Gabriel Ferrandini has the drum dynamics covered–senses the sound colors and thrust needed at any given point and gives you the complementing sounds with subtle excitement.Rodrigo Pinheiro plies an original and moving blend of avant garde piano that includes some bracing inside-the-piano colors and an ever-flowing note cascade that does not contain a single cliche. He and the others sense the overall mood and dynamic and follow each other collectively with near telepathic powers. This is simply one of the best out trio dates I’ve heard in a long while. Don’t hesitate–only 400 have been pressed. The RED trio comes through!  Grego Applegate Edwards http://gapplegatemusicreview.blogspot.pt/2014/02/red-trio-rebento.html

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Surge inchado por esmero concetual, este “Rebento”. Afinal, sucede na discografia do RED trio o seu sacramento a essoutro que se traduziria por caule — “Stem”, lançado em 2012. Por isso, à primeira vista, suspeita-se vir tratar de crescimento. Por outro lado, e apesar de alguma ressonância verbal se incutir assim no título que os agrupa, já o batismo dos seus constituintes contesta a presunção: ‘Carne’, ‘Para’, ‘Canhão’, nem mais nem menos, três temas deste modo dispostos e designados, dois no Lado A do LP, o último no Lado B, ainda que à versão digital do álbum, perturbando o hexassílabo, se acrescente ‘Mono’, sinóptico registo de uma atuação no Festival Sines em Jazz em que se esculpe exemplarmente o extenso vocabulário do grupo. Há nisto uma cedência a modas — ou, pelo menos, uma premeditação — que, na realidade, não compromete para lá da medida a experiência daquilo em que, também, nada há de casual. Não sendo formalmente invulgares, as dinâmicas nesta música possuem uma surpreendente expressividade; e, amiúde, testemunho de uma intrigante inteligência rítmica que dispensa esquematismos, revelam-se aqui pontos de convergência cuja narrativa é particularmente sedutora. Dir-se-ia que Rodrigo (piano), Hernâni (contrabaixo) e Gabriel (bateria) — não obstante privilegiarem gestos subtis — dramatizam continuamente as proporções do triângulo em que se organizam. E, do claustrofóbico intimismo a uma profundidade tonal quase sinfónica, embora invariavelmente nebulosa, instantes há em que se esfuma a categoria da improvisação de que se socorrem — ou, lá está, em que essas táticas servem apenas para que venha o trio noutro sítio qualquer a crescer, o tal rebento a florescer. João Santos, Expresso