Reviews Vento

«Vento» is the debut album of a new trio of Portuguese sax player José Lencastre together with double bass player Hernâni Faustino and drummer Vasco Furtado. «Vento» is also the debut album of the newly-founded, artists-operated. Lisbon-based label Phonogram Unit, dedicated to experimental, improvised, and electro-acoustic music, and managed Lencastre, Faustino, Furtado, with guitarist Jorge Nuno and pianist Rodrigo Pinheiro. «Vento» was recorded at Fisga Studio, Lisbon in November 2018.

The six pieces are credited to Lencastre, Faustino, and Furtado and sound as parts in one ling suite or one set. It is clear from the first seconds that this trio wants to mold anew the format of the sax-bass-drums trio and approach the themes, pulse, and interplay in its own way. The album title «Vento» (wind in Portuguese), already informs about the big space in which this trio operates. To that, you can add a total democratic interplay and a strong sense of searching and risk-taking, allowing the pieces to flow organically and find in their own time and terms their inner logic and center of gravity.

This trio references the American legacy of free jazz but often in a more introspective version. It flirts with extended techniques on the short and sparse «Abstração», builds patiently its powerful groove on «Test Drive» but avoids a climactic coda, and injects more space to the powerful interplay on «Keep Going». The minimalist «Ruínas» is the most intriguing piece here, focused on quiet, minimalist gestures that imply more than actually deliver, but suggesting a poetic and even a surprisingly sensual, folky melody. The final, title-piece adds more playfulness to the sparse aesthetics of this trio and letting this piece boil in its own gentle accord.

A promising debut of a trio that already sounds like a strong working band.  Eyal Hareuveni  

 

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Powracamy do Lizbony! Pod koniec listopada 2018 roku w Fisga Studio zameldowali się: José Lencastre – saksofon altowy, Hernâni Faustino – kontrabas oraz Vasco Furtado – perkusja. Zagrali sześć improwizacji, których łączny czas trwania, to 52 i pół minuty.

W roli mistrza ceremonii otwarcia masywny, gruby, wąsaty kontrabas. Brzmi jak ryk słonia, na granicy akustycznego przesteru. Perkusja dla odmiany lekka jak zefirek, pełna rytmu, dynamiki, pozytywnej energii. Panowie rozpoczynają swój marsz równości, w który wkleja się pośpiewujący alcista. Rytm, meta taniec, manifest open jazzu, który w każdej chwili może wybuchnąć. Drobne incydenty solo (kontrabas), żyjący drumming i saksofon, który nie bez powodu nuci frazy post-coltrane’owskie. Narracja nabiera rozpędu, stawia na demokrację, jakkolwiek w tej magmie udanych dźwięków pięknieje przede wszystkim drummer – to on eskaluje flow, on kreuje wymagania i egzekwuje ich realizację. Druga opowieść stawia na zaniechanie. Smyczek, półdrony z tuby, trzeszczący zestaw werbla i tomów. Szorstka, choć wylewna opowieść budowana z dużą swobodą, śpiewającym altem i basem, który rwie trzewia. Trzecia część udanie szuka jazzowych korzeni. Kind of post-swing w tubie, z niemal parkerowskim posmakiem, liczenie krawędzi na sporej dynamice, grzmoty kontrabasu. Znów to Furtado zdaje się być sercem, anatomicznym jądrem tej historii. Biegnie hard-bopową ścieżką, ale nie eskaluje hałasu. Po dziesiątej minucie toczy jeszcze kilka udanych, duetowych dysput z Faustino. Smyk zaplątany w drummerskie grepsy!

Na wejściu w czwartą improwizację swoje do obrazu całości dokłada saksofon, który intrygująco skrzeczy. Pizzicato dużego strunowca zdziera lakier z podłogi, a aktywny, ale jakże zwiewny drumming znów zdaje się napędzać narrację. Muzycy nie spieszą się, cierpliwie czekają na moment, by pójść w bardziej ekspresyjną ekspozycję. Alt zdaje się ustanawiać swoje warunki, sekcja czeka przez moment, a potem wchodzi na raz i trio płynie już całą szerokością studia nagraniowego. Po chwili kolejna improwizacja, którą zaczyna deep drumming in silence. Tym razem kontrabasowe pizzicato, zawieszone dość wysoko, stawia na powolność i kreatywną repetycję. Tuba altu szumi, a potem rzewnie zawodzi balladą. Opowieść gęstnieje, ale uroczo ślimaczy się aż po swój kres. Finał płyty powstaje na jeszcze większym luzie, dramaturgicznej swobodzie. Małe frazy, dużo powietrza pomiędzy dźwiękami, małe rozdroże, kilka pytań, dokąd zmierzamy. Któż inny mógłby w tym momencie nadać pieśni zakończenia odpowiedni kształt, jeśli nie Furtado! Znów odnajduje hard-bopowe korzenie i zabiera przyjaciół na ostatnią tego dnia przebieżkę po bezkresie studyjnej czasoprzestrzeni.  Andrzej Nowak 

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Vento marca o nascimento de um novo selo, o Phonogram Unit. O projeto é de um grupo de músicos portugueses bastante conhecidos por quem acompanha a cena do país, a ver: José Lancastre, Hernâni Faustino, Vasco Furtado, Jorge Nuno e Rodrigo Pinheiro. “O nosso principal objectivo é lançar trabalhos em que estejamos envolvidos. Temos todos diferentes projetos, uns já existentes e outros ainda só na cabeça, que gostaríamos de apresentar. A editora surge para já para divulgar trabalhos onde pelo menos um dos cinco envolvidos esteja presente. No futuro, quem sabe isso possa mudar”, disse Lencastre em entrevista ao site “Rimas e Batidas”. Neste álbum de estreia, vemos em ação um trio formado por Lencastre (sax alto), Faustino (baixo) e Furtado (bateria). O álbum agora editado foi captado em novembro de 2018, no Fisga Studio, em Lisboa. São seis temas, em pouco mais de 50 minutos de improvisação livre de altíssimo nível. Um trio justo de sax-baixo-bateria que não renega suas heranças free jazzísticas e apresenta uma sonoridade sólida e envolvente, indo dos momentos mais enérgicos de “Test Drive” aos segmentos mais contemplativos, quase minimalistas, de “Ruínas”. O novo selo será dedicado à música improvisada, experimental e eletroacústica. Fabricio Vieira  

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Vento é o ultimo disco da autoria do trio formado por José Lencastre (saxofone alto), Hernâni Faustino (contrabaixo) e Vasco Furtado (bateria). Esta álbum marca a estreia do selo Phonogram Unit, um projecto editorial recentemente apresentado por Lencastre em entrevista ao Beats for Peeps. Em Vento, o trio apresenta uma sessão de improvisação gravada há cerca de 2 anos (o momento foi registado a 28 de Novembro de 2018), constituída por seis temas que oscilam entre o free jazz e a improvisação não-idiomática – no sentido definido por Derek Bailey – que não deixam margem para dúvidas: estamos perante vento fresco e original, criativo e não-conformado, desatento a tendências e padronizações.

“Here We Go” inicia o álbum com uma viagem de cerca de 12 minutos, onde Faustino aborda a peça de forma quase cromática, tanto em congruência com a tonalidade das (por vezes) inteligíveis melodias de Lencastre, como assumindo-se libertino, alheio a escalas ou restrições tonais. Furtado pouco mais precisa do que de um prato e de uma tarola seca para acompanhar com precisão e sagacidade os seus companheiros, encontrando-se em perfeita simbiose com o baixo andante de Faustino, permitindo, assim, que Lencastre construa sobre esta paisagem. Em “Abstração”, Lencastre farfalha, produz multifonias e toca o saxofone de forma gutural; Faustino, ora opta pelo pizzicato, ora troca os dedos pelo arco; Furtado modela texturas, contextualizando o ambiente cénico que se experiencia – um tema apropriado para a banda-sonora de um thriller tenso e sufocante. “Test Drive” leva-nos a dar mais uma volta pelo domínio free jazz do trio, apresentando uma energia semelhante àquela que é imposta em “Here We Go” – são 13 minutos de interessantíssima improvisação, com o duo Faustino-Furtado a revelar o seu lado mais frenético e inquieto, e com Lencastre a embarcar num cíclico processo de criação e destruição no qual laivos de melodias se esfumam dando lugar a frases amorfas e atonais. “Keep Going” inicia-se com Lencastre a impor uma intensidade semi-Brotzmanniana que, porém, se dissolve para dar lugar a espaçados, mas ritmados ataques do trio, que nos embala num balanço quasi-groovy, ganhando, assim, momentum para um final declarativo. Em “Ruínas” somos submersos num universo distópico e pós-apocalíptico em que o trio, primeiro, integra a experiência; depois, junta as peças dispersas do caos onde se encontra; e, por fim, acaba com a consciência e vitalidade de uma atitude reconstrutiva. “Vento” remata o disco, partindo de um registo experimental – à semelhança do apresentado em “Abstração” – que é habilmente metamorfoseado num uptempo e explosivo final

Vento é um belo registo de um trio experiente que consegue impor dinâmica e, sobretudo, comunicar de forma efectiva ao longo de todo o álbum. Isto porque, apesar da experimentação ter um inegável valor intrínseco, é igualmente indiscutível que a informação nela contida é, amiúde, indecifrável para o ouvinte. Assim sendo, nada melhor que experimentar numa estrutura que permita dialogar e discutir com o outro lado, algo que é aqui logrado de forma fantástica. No entanto, dita ordem não é imposta através de uma lógica formal em termos de conteúdo, mas sim de uma matriz longitudinal que é ubíqua: apesar de muito provavelmente não ter sido algo definido a priori, sentimos que várias são as faixas que têm um princípio, um meio e um fim, sinónimo de um pensamento, intenção e entrosamento entre o trio que são uma maravilha de se experienciarem. É obvio que mais do que como começa, o importante é como acaba, mas a este respeito o trio é suficientemente traquejado para saber quando parar uma improvisação e, consequentemente, veicular com eficácia o que tinha para expressar, poupando-se, assim, a redundâncias ou tautologias. Indubitavelmente do melhor que anda por aí na experimentação portuguesa.  João Morado

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Three of my most beloved musicians: José Lencastre, Hernâni Faustino and Vasco Furtado meet here to play six beautiful track, inspired by the subject of the wind. The cover show in fact the photo of the world’s first automatically operated wind turbine built in 1888 by  Charles F. Brush. They start with 12 minutes long “Here We Go”, a great introduction to the trio concepts and abilities. The first thing that has to be said: for me the section Faustino-Furtado is one of the best in the world. Their synergy with José is breathtaking. He himself play with modesty, producing perfectly as many as sounds as needed. “Abstração” is a shorter slow track, a kind of free improvised hymn with plenty of saxophone and percussion etc, and a fantastic bowed bass. “Test Drive” lasts 13 minutes and is a faster free be-bop piece. “Keep Going” is another shorter song, with great fragmented motives, and call-answer conversations between the musicians, José has here his unaccompanied solo, after which the track attains the walking bass bluesy mood. “Ruínas” are abstract, peaceful, and… simply very beautiful. Finally, “Vento”, a sublimation and essence of the whole album. Excellent record! Maciej Lewenstein 

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“…Ao todo são seis feéricos temas de livre improvisação, em regime de pronunciada abstracção, com José Lencastre a comandar a atenção com o seu tom altamente personalizado, carregado de imaginação, capaz de se aventurar por terrenos pouco cartografados, de peito aberto ao risco, sempre em busca da frase mais inusitada, sendo para tanto capaz de recorrer a um vasto leque de técnicas que nunca são usadas para impressionar, antes porque servem o momento. Com o veterano e já recorrente Hernâni Faustino do seu lado, Lencastre sabe que tem disponível um sólido amparo, um músico que dispõe igualmente de uma imaginação funda, que é absolutamente destemido e que escuta como poucos os que o rodeiam. Por outro lado, Vasco Furtado revela-se à altura do “embate” com tamanhos companheiros de aventura, suportando o “vento” de Lencastre e o tremor de Faustino com um baterismo inquieto, expressivo, criado com membros independentes, capazes de traduzir a mais pura excitação no embate com pele, madeira e metal.

Estreia auspiciosa, portanto, esta de uma Phonogram Unit que pretende colocar músicos também no papel de produtores fonográficos, o que poderá traduzir-se num espírito de (ainda) maior liberdade na hora de decidir que música lançar, em que condições e com que timings. Rui Miguel Abreu 

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O primeiro álbum do trio formado por José Lencastre (saxofones tenor e alto), Hernâni Faustino (contrabaixo) e Vasco Furtado (bateria) é também o primeiro da nova editora criada por estes três músicos com Jorge Nuno e Rodrigo Pinheiro, a Phonogram Unit. Projecto “do it yourself” que visa editar em disco a música criada por estes cinco improvisadores nos seus próprios termos e “timings”, em absoluto controlo de todas as faces do processo de produção e distribuição, a Unit tem como únicos parâmetros constituir uma discografia em que pelo menos um dos intervenientes esteja incluído, em parâmetros que, para além da música improvisada, poderão cobrir os terrenos da experimentação e da electroacústica. Não está colocada de lado a possibilidade de outros músicos que não os próprios serem editados. A apresentação da “label” acontecerá na próxima sexta-feira, 25 de Setembro, na SMUP, com três concertos: um solo de Pinheiro ao piano, o trio deste “Vento” e um quinteto com todos os cooperantes.

E que música vem em “Vento”? Música com as suas raízes no free jazz da “loft generation”, aquele que era tocado nas águas-furtadas da Nova Iorque da década de 1970 e, sobretudo, no Studio Rivbea de Sam Rivers, no Studio 77 (mais tarde rebaptizado como Ali’s Alley) de Rashied Ali e no Studio Infinity de David Murray. Um free jazz que chegava a incorporar aspectos do R&B, do rock ou da world music, regra geral de forma subtil, como agora acontece neste registo devido ao largo espectro de referências dos músicos envolvidos. O título “Vento” corresponde bem ao realce que aqui têm os saxofones de Lencastre, conhecido sobretudo pelo seu trabalho com o alto, mas agora a dar especial atenção ao tenor. Para quem já não tinha percebido – sobretudo através do seu NAU Quartet – o quão superlativa é a arte deste manipulador de instrumentos de vento, ficam por inteiro demonstrados os motivos pelos quais o seu nome vem ganhando vulto, por cá e lá fora – não há notas a mais nem a menos, num fluxo inventivo que não falha em argumentação e a entrega é total e genuína. Faustino e Furtado são os cúmplices mais do que indicados para esta abordagem, sempre presentes, sempre entrosados e sempre essenciais para os resultados obtidos. É mais uma estalada das boas que assim surge na cena nacional da música criativa… Rui Eduardo Paes 

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Vento est publié sur Phonogram Unit, label lisboète autogéré par des musiciens et dédié aux musiques expérimentales, improvisées et électro-acoustiques. Lencastre a choisi la formule du trio avec le contrebassiste Hernâni Faustino, également membre du Nau Quartet, et le batteur Vasco Furtado.

Les six morceaux sont collectifs et durent le temps qu’il faut aux trois compères pour exprimer leurs idées, de quatre à treize minutes… « Here We Go » navigue entre des discontinuités contemporaines et des dissonances vrombissantes, avant que l’archet de Faustino, les grondements de Furtado et le discours fragile de Lencastre se marient dans un foisonnement délirant. L’ombre d’Albert Ayler plane au-dessus d’« Abstração » : démarrage en technique étendue, puis complainte de la contrebasse, bruissement de la batterie et cris du saxophone alto. « Test Drive » est enchaîné rapidement. La course-poursuite est nerveuse, intense et débridée. Le morceau explose dans un magma sonore, porté par une batterie athlétique et à la sonorité très naturelle, une contrebasse musclée et un saxophone puissant ! Le bourdonnement d’un insecte sur une ligne de running bass et des frappes rapides accueillent « Keep Going ». Le trio déroule le morceau dans un esprit entre contemporain et free. Place au minimalisme et au bruitisme pour « Ruínas », avec des interactions spontanées et une tension crescendo imposée par la batterie et la contrebasse, tandis que les phrases de l’alto restent aériennes. Conclusion sous forme de complainte mystérieuse, « Vento » finit par décoller sous l’impulsion de la batterie touffue de Furtado, de la contrebasse robuste de Faustino et des envolées effrénées de Lencastre.

Si Vento s’inscrit dans une une veine free, Lencastre, Faustino et Furtado prennent les risques qu’il faut pour que l’expérience soit originale. Bob Hatteau